Bem-Vindo!

“O que quer que você faça ou aonde quer que você vá, deixe sua mente permanecer em seu coração."

sábado, 26 de outubro de 2013



“Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida
 e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas
que passam por suas vidas."


(Clarice Lispector)

sábado, 19 de outubro de 2013

Centenário de Vinícius de Moraes



Medo de Amar

( Vinicius de Moraes )

O céu está parado, não conta nenhum segredo,
A estrada está parada, não leva a nenhum lugar,
A areia do tempo escorre de entre meus dedos,
Ai que medo de amar !


O sol põe em relevo todas as coisas que não pensam,
Entre elas e eu, que imenso abismo secular...
As pessoas passam, não ouvem os gritos do meu silêncio,
Ai que medo de amar !


Uma mulher me olha, em seu olhar há tanto enlevo,
Tanta promessa de amor, tanto carinho para dar.
Eu me ponho a soluçar por dentro, meu rosto está seco,
Ai que medo de amar !


Dão-me uma rosa, aspiro fundo em seu recesso,
E parto a cantar canções, sou um patético jogral.
Mas viver me dói tanto ! E eu hesito, estremeço...
Ai que medo de amar !


E assim me encontro: entro em crepúsculo, entardeço.
Sou como a última sombra se estendendo sobre o mar...
Ah, amor, meu tormento ! Como por ti padeço...
Ai que medo de amar !






terça-feira, 15 de outubro de 2013


Parabéns, Professores!

A vocês que plantaram um dia
a semente do conhecimento em nós
e a verão brotar e gerar, no futuro,
cada vez mais plantios e proveitosas colheitas
com frutos de reconhecimento e valorização
pelos atos de amor e dedicação na arte de ensinar.

Nossa eterna gratidão!


sábado, 12 de outubro de 2013




Exercícios de ser criança
(Manoel de Barros)

O MENINO QUE CARREGAVA ÁGUA NA PENEIRA!

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.
Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu que era capaz de ser noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o voo de um pássaro botando ponto no final da frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens.
E algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos.



quarta-feira, 9 de outubro de 2013


“Plantar um bosque na alma, 
e curtir a sombra,
o vento, as crianças, o sossego.
Não precisam ser reais.
Eu até acho que a realidade não existe:
existe o que nós criamos, sentimos, vemos
ou simplesmente imaginamos.”

Lya Luft


terça-feira, 8 de outubro de 2013



Manhã de Chuva

Dorothy Jansson Moretti

Falta-lhe o sol, mas o ar é tão puro,
e as árvores mais verdes, mais altivas.
As flores, mais vibrantes, inesquivas,
desafiam o céu cinzento escuro.

Na sarjeta, a água em ondas agressivas,
arrasta longe tudo o que há de impuro;
e eu, com inveja em meu olhar, procuro
as crianças lá fora, a rir, festivas.

Manhã de chuva mansa... doce imagem!
Lembra-me a infância, a juventude, o lar,
ingenuidade e café com bolinhos...

Coisas boas que o tempo, de passagem,
apático inclinou-se a transportar
no esquecimento atroz dos seus caminhos.


quinta-feira, 3 de outubro de 2013


“O coração da gente gosta de atenção.
De cuidados cotidianos.
De mimos repentinos.
De ser alimentado com iguarias finas,
como a beleza, o riso, o afeto.
Gosta quando espalhamos os seus brinquedos no chão
e sentamos com ele para brincar.
E há momentos em que tudo o que ele precisa
é que preparemos banhos de imersão na quietude
para lavarmos, uma a uma, as partes que lhe doem.
E que o levemos para revisitar, na memória,
instantes ensolarados de amor
capazes de ajudá-lo a mudar a frequência do sentimento.
Há momentos em que tudo o que precisa
é que reservemos algum tempo a sós com ele
para desapertá-lo com toda delicadeza possível.
Coração precisa de espaço.”


 (Ana Jácomo)