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sábado, 22 de março de 2014


Vento de Outono

Dorothy Jansson Moretti

Ao sombrio da tarde eu me abandono,
e um clima estranho vem-me dominar.
Eu não sentira que já era outono,
nem percebera meu verão passar.

Agora, o vento, em arrogante entono,
maltrata as folhas mortas, a tombar,
confundindo-as no chão, sem lar, sem dono,
órfãs dos ramos nus, a se agitar.

Também meus sonhos tombam, lentamente,
aos desenganos que os batem de frente,
nem mais uma ilusão resiste, agora.

E o vento torce a haste enrijecida
da flor despetalada e ressequida
de uma esperança que restou... de outrora.


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