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Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
sê um arbusto no vale
mas sê o melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
e dê alegria a algum caminho.
Se não puderes ser uma estrada,
sê apenas uma senda.
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.


Pablo Neruda

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

terça-feira, 26 de novembro de 2013


“Ser livre é não ser escravo das culpas do passado
nem das preocupações do amanhã.
Ser livre é ter tempo para as coisas que se ama.
É abraçar, se entregar, sonhar, recomeçar tudo de novo.
É desenvolver a arte de pensar e proteger a emoção.
Mas, acima de tudo,
ser livre é ter um caso de amor com a própria existência
e desvendar seus mistérios.”


(Augusto Cury)


“Sou uma filha da natureza:
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo.”


(Clarice Lispector)

sexta-feira, 22 de novembro de 2013


“Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos,
resta-nos um último recurso: não fazer mais nada.
Por isso, digo, quando não obtivermos o amor,
o afeto ou a ternura que havíamos solicitado,
melhor será desistirmos e procurar mais adiante
os sentimentos que nos negaram.
Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não,
espontaneamente,
mas nunca por força de imposição.
Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;
outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés.
Os sentimentos são sempre uma surpresa.
Nunca foram uma caridade mendigada,
uma compaixão ou um favor concedido.
Quase sempre amamos a quem nos ama mal,
e desprezamos quem melhor nos quer.
Assim, repito, quando tivermos feito tudo
para conseguir um amor, e falhado,
resta-nos um só caminho… o de mais nada fazer.”

(Clarice Lispector)


quarta-feira, 20 de novembro de 2013


Rota Espiritual

Erguer-se de manhã e bendizer a vida.
Espalhar ao redor a presença do bem.
Escutar calmamente as notícias da hora.
Dar a palavra amiga. Ajudar conversando.
Dispor o coração a servir sem perguntas.
Fazer mais que o dever na tarefa em que esteja.
Suportar sem revolta as provações em curso.
Apagar a discórdia e liquidar problemas.
Estudar e entender. Discernir e elevar.
Render culto à Verdade entre bênçãos de amor.
Ver o direito alheio e respeitá-lo em tudo.
Ser fiel ao trabalho e esquecer as ofensas.
Amar fraternalmente a todas as criaturas.
Acender cada noite as estrelas da paz no abrigo da consciência
em preces de alegria.
- Eis a rota ideal na jornada constante do espírita-cristão,
à luz de cada dia.

Chico Xavier

terça-feira, 19 de novembro de 2013


Saudade

Via você na janela, na distância,
na solidão, na penumbra do amanhecer.
Via você na noite, nas estrelas, nos planetas,
nos mares, no brilho do sol e no anoitecer.
Via você no ontem , no hoje, no amanhã...
Mas não via você no momento.
Que saudade...

Mário Quintana


sexta-feira, 15 de novembro de 2013



“Durante anos procuramos encontrar alguém que nos compreenda,
alguém que nos aceite como somos,
capazes de nos oferecer a felicidade, apesar das duras provas.
Apenas ontem descobri que esse mágico alguém
é o rosto que vemos no espelho."


(Richard Bach)


quarta-feira, 13 de novembro de 2013



“Alta noite, lua quieta,
muros frios, praia rasa.

Andar, andar, que um poeta
não necessita de casa.

Acaba-se a última porta.
O resto é o chão do abandono.

Um poeta, na noite morta,
não necessita de sono.

Andar…Perder o seu passo
na noite, também perdida.

Um poeta, à mercê do espaço,
nem necessita de vida.

Andar… – enquanto consente
Deus que seja a noite andada.

Porque o poeta, indiferente,
anda por andar – somente.
Não necessita de nada.”


 (Cecília Meireles)



segunda-feira, 11 de novembro de 2013


“Às vezes, 
na estranha tentativa de nos defendermos 
da suposta visita da dor,
soltamos os cães.
Fechamos as cortinas; 
trancamos as portas com chaves, cadeados e medos.
Ficamos quietinhos, poucos movimentos nesse lugar escuro 
e pouco arejado,
pra Vida não desconfiar que estamos em casa.
A encrenca é que, ao nos protegermos tanto 
da possibilidade da dor,
acabamos nos protegendo também 
da possibilidade de lindas alegrias.”


 Ana Jácomo 


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

quinta-feira, 7 de novembro de 2013



Não sei ser triste a valer

Fernando Pessoa

Não sei ser triste a valer
Nem ser alegre deveras.
Acreditem: não sei ser.
Serão as almas sinceras
Assim também, sem saber?

Ah, ante a ficção da alma
E a mentira da emoção,
Com que prazer me dá calma
Ver uma flor sem razão
Florir sem ter coração!

Mas enfim não há diferença.
Se a flor flore sem querer,
Sem querer a gente pensa.
O que nela é florescer
Em nós é ter consciência.

Depois, a nós como a ela,
Quando o Fado a faz passar,
Surgem as patas dos deuses
E a ambos nos vêm calcar.

Está bem, enquanto não vêm
Vamos florir ou pensar.


terça-feira, 5 de novembro de 2013



“A alegria é um pássaro
que só vem quando quer.
Ela é livre.
O máximo que podemos fazer
é quebrar todas as gaiolas
e cantar uma canção de amor,
na esperança de que ela nos ouça."

(Rubem Alves)





“Se você acha uma flor bonita, à distância, 
experimente olhá-la bem de perto.
 Muitos detalhes a gente só consegue perceber ao aproximar mais 
os olhos e o coração.
Quando olhamos para algumas belezas conhecidas 
com a admiração e a curiosidade afetiva 
de quem olha pela primeira vez, 
garantimos porções extras de alimento para a alma.
Uma das coisas mais perigosas que podem nos acontecer 
é perder a capacidade 
de renovar o próprio olhar.
A vida da gente tem muito a ver com a nossa perspectiva."

(Ana Jácomo)